quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Terço

Mais uma vez me enrolo
e nesses rolos te envolvo
entrelaço as mãos, os lábios
e num suspiro solto,
perco todos em orações

domingo, 20 de outubro de 2013

Sincronia

Eu não queria ele
queria o momento
viver ele plenamente
eu era o momento
e de alguma forma ele o integrava
e o momento não se estende
existe, apenas, no momento

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Cardápio

Não há poesia para hoje
Estamos esgotados
Do quê?
De romances mal sucedidos
O café forte também acabou
Temos apenas uma água rala
Quase acinzentada.

sábado, 5 de outubro de 2013

Compras

Cada vez mais tinha certeza do que queria. A calça verde havia deixado tudo mais claro. Ela trazia a verdade natural de sua simplicidade e conforto e servia tão bem com aquele momento. Falava do conforto da ausência de preocupações, da simples liberdade de ser responsável por apenas si mesma. Era a reviravolta da certeza do que não querer, do que escapar e fugir com toda a velocidade possível. Trazia aquele desmazelo e medo masculino ao ouvir falar de compromisso.

domingo, 29 de setembro de 2013

Nossa. Minha.

Me encontrava num final de tarde
Ouvia o que outrora fora música nossa
Hoje puramente minha
E reparei que o sentido de nossa mudava com os ipês

Os brilhantes entenderão

E quanto menos palavras uso, mais você as quer. Sejamos francos: há algum motivo para essa conversa mansamente “cotidiana”? A essa altura da vida, da semana, do dia não há espaço para pequenos joguinhos. Hoje poupo qualquer esforço, poupo-me de ti. Psicologia reversa, não se esforce tanto. Hoje já tive tremores, perdas arredondas, interjeições desculpáveis. Leia adequadamente minhas atitudes de ontem, confio plenamente em seus instintos básicos para te ajudarem.

sábado, 28 de setembro de 2013

Dezembro

A situação, para ela, acompanhava as tendências do mês. Após um calor exacerbado, uma chuva repentina, que não serve para refrescar, apenas abafa e desmancha possíveis planos. Seus olhos verdes mostravam as pupilas interrompidas pelo constrangimento e a ignorância de como saber agir. Mexia e remexia na trança que se desmanchava em sua homenagem.
O sol aumentava a exaustão, mas, pelo lado Poliana da vida, disfarçava a vermelhidão. Nos abraços sentia a câmera focando seus olhos abertos, impossível fechá-los. Era a vilã, roubava o romantismo, roubava a esperança e o bom senso. Era a vilã com saudades. Saudades de um passado distante, de um passado presente, de uma ausência daquela situação.

Dezembro caia sobre os seus pés, com tal força que lhe roubaria o sono a noite. Dezembro desembrulhava possíveis amores, deixava-os nus, arreganhados no chão. Dezembro abortava.