Não
sabemos explicar, apenas entendemos e aceitamos e concordamos e não mudamos.
Será que existe alguma razão para viver assim? Vivemos na calada noite segredos
mal contados, vivemos pela metade, tanta coisa pela metade, como essa imensa
vontade que não sabemos explicar. Pergunta pela metade e a resposta não alcança
um quarto. Acreditamos na distância entre nós.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Numa fila de um bar..
Lembrei daquela interessante oportunidade oferecida pela chuva. Do seu rosário, do suspensório. Mas esqueci o seu nome em baixo da sobrinha florida. Impossível não sentir um ligeiro aperto no peito ao lembrar da atenção reforçada da minha vergonha e, consequente, falta de conhecimento sobre ti.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Uma mudança de foco cairia bem
“Não existe amores
perfeitos, apenas amantes acomodados”. Frases como essa deveriam nos ser
ensinadas assim que aprendemos o ABC. Pouparia-nos de buscas vãs, de desilusões
e, lógico e principalmente, ilusões.
Também deveriam ensinar
que o “feliz para sempre” não está no além da espera comportada e tola pelo príncipe
encantado, inventado sabe-se lá com qual finalidade. Deveriam nos mostrar com frequência
incansável uma flor caída no chão e nos fazer procurar sua origem. Sim,
levantar a cabeça e seguir o caminho daquele tronco para em seu topo encontrar
não apenas uma flor branca, mas várias, no auge de seu brilho, a sorrirem
alegres com o toque do sol.
Mudanças assim,
simples, nos poupariam de lágrimas vertidas por sapos emperfumados, que não
souberam fazer nada além de procurar em projetos de mulheres um meio de se distraírem
de seus asquerojos cantos de extrema virilidade.
sábado, 11 de maio de 2013
Epifania
Poderia,
se na época a ingenuidade não fosse tão tola, nos ter definido como um fósforo.
Não, não me leve a mal. Não estou insinuando que você era tão ordinariamente
comum, facilmente substituível. Por favor, não seria capaz de tanta injúria!
Nossa
relação merecia algo mais brilhante que um palito fino, com topo colorido, com
incontáveis gêmeos. Referia-me a ele aceso, incandescente e tão duradouro!
domingo, 5 de maio de 2013
Simplicidade pode ser tudo
Desejo propor-te um pacto
Nada sacramental ou perpétuo
Dispenso o sangue ou qualquer sentimento
domingo, 7 de abril de 2013
Numa tarde-manhã
Balançava
o corpo seguindo a maresia inexistente,
Os
olhos relaxados e cabeça levemente inclinada.
Surgia
a minha frente, naquele rosa-por-do-sol
Uma
nau simples, despida de majestade
Seus
poucos tripulantes eram compostos por jogos de luzes,
Alguns fios e panos postos acidentalmente na
posição correta.
Propondo o ponto
Conversei
levianamente esperando os segundos passarem. Reparei em sua camisa, desfilei
com minha saia. Aceitei sua condução. Sentamos constrangidos pelo mistério, que
mantive tanto quanto pude. Fez o pedido, apenas sorri paisajadamente. Colocou ao
lado da xícara a naturalidade fingida. Pergunta direta e mais firme que o
tremeluzir de suas mãos. Abrangi o sorriso de forma acolhedora, assim espero, e
suspirei seus olhos. Expliquei tão calmamente como se explica matemática a uma
criança. Esquadrinhei sua resposta muda. Talvez um brilho nos olhos? Bom,
talvez. Respiramos em uníssono um ar ligeiramente mais leve para começar o segundo
capítulo final.
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