domingo, 7 de abril de 2013

Numa tarde-manhã



Balançava o corpo seguindo a maresia inexistente,
Os olhos relaxados e cabeça levemente inclinada.
Surgia a minha frente, naquele rosa-por-do-sol
Uma nau simples, despida de majestade
Seus poucos tripulantes eram compostos por jogos de luzes,
Alguns fios e panos postos acidentalmente na posição correta.

Propondo o ponto



Conversei levianamente esperando os segundos passarem. Reparei em sua camisa, desfilei com minha saia. Aceitei sua condução. Sentamos constrangidos pelo mistério, que mantive tanto quanto pude. Fez o pedido, apenas sorri paisajadamente. Colocou ao lado da xícara a naturalidade fingida. Pergunta direta e mais firme que o tremeluzir de suas mãos. Abrangi o sorriso de forma acolhedora, assim espero, e suspirei seus olhos. Expliquei tão calmamente como se explica matemática a uma criança. Esquadrinhei sua resposta muda. Talvez um brilho nos olhos? Bom, talvez. Respiramos em uníssono um ar ligeiramente mais leve para começar o segundo capítulo final.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Um pouco de suicidio te pouparia



Conto por versos
O que não contei pra ti

Sussurro pra ti
Os versos que guardei

Libero aos poucos,
Dos lábios,
Ideias que nunca confessei

Se seus ouvidos recebessem
Essa doce voz
Morreriam estatelados
Num vão salvador.
Prefeririam a Negra
Às cores perversas que nunca te mostrei.  

quinta-feira, 7 de março de 2013

Somente



To com saudade de você de baixo...
Ou não
Tua falta esqueceu de deixar no lugar a saudade
To apenas cansada do teu abraço.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Tão doce..



E essa sua volta não sabe ser nada além de confusão. Eras puro carinho, preocupação doce. Envolvia-me em seus braços, inspirava-se nas confissões de Mr. Darcy. Olhos tão profundos mirando com intensidade jamais vista. Jamais vista. Fruto de um desespero calado, um sonhar profundo. O despertar deixou a saudade do que jamais fomos. Jamais seremos. Também despertou uma antiga preocupação, tão antiga que inconveniente. Mas será que há prazo limite para desculpar-se? Queria que me ouvisse explicar os reais motivos e a não intenção de te machucar. Queria ver nos teus olhos que não te causei mal, não te matei aos poucos, como tantas vezes morri.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Solidão. Por que não mata?


Deve ser a solidão. A descrição do seu trabalho não me interessa. Insiste em responder perguntas que nunca fiz. Deve ser a solidão. Essa necessidade de contar ao primeiro par de orelhas que, desavisado, para perto do seu par de bocas. Transforma-se em atriz melodramática, sofre mais que cristo. Fecho os olhos assim que, abençoadamente, cala a boca. Inútil reza para manter o som de sua voz enclausurado. Nossa, que gostoso! Leve interjeição requerida pelos bons modos. Graças! Minha vez de ser atendida. Rápido. Um pai nosso e meia ave Maria ou o que tiver de mais prático.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Simples


Eu queria uma contradição
Algo tolo, com uma leve palpitação
Talvez uma prolongação...
Uma ação meio acabada, talvez sequer começada

 Eu queria uma simplicidade
Sem necessidade de explicações
Uma continuação feito o raiar do sol
Um olhar brincalhão despido de qualquer promessa