sexta-feira, 20 de abril de 2012

Gato Preto

              Hoje eu vi um gato preto. Quando ele me viu paralisou, encarou-me nos olhos e brincou de estátua. Quando dei um sutil passo ele correu. Correu.
                Para ele correr era o mais prático e seguro a se fazer. Correu com facilidade, com a agilidade de um gato preto.
                Vi seu corpo preto esticar e encolher no verde da grama alta. Rapidamente ganhou velocidade. Invejei profundamente o gato.
                Invejei o gato profunda e amargamente. Tudo o que eu queria era ter essa liberdade de correr, simplesmente correr  do que me assusta, do que me magoa. De quem eu magoo.
                Sim, de quem eu magoo. Parece que nos últimos tempos só eu possuo a capacidade de magoar, ferir e/ou decepcionar as pessoas. Só eu. Estranho não? Devo estar cercada de pessoas perfeitas, afinal elas nunca me machucam.
                Oh, leitor, se eu escrevesse feito os latinos estaria a exclamar: “Oh! Coitada que sou”. Se escrevesse polidamente talvez dissesse: “Quantas injúrias”. Porém quero escrever simples e grosso, assim apenas escrevo: “Mas que merda!”.
                Desculpe-me a falta de polidez, o abandono de clássicas lamentações e o uso de um português claro demais. Porém só assim consigo descrever a merda que é ter que ser estátua e não correr, ter que ser educada e sorrir, quando todos sentam no próprio rabo e me apontam como a responsável por Jesus ter parado na porra da cruz.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Manhãs, tardes e noites

É num colo que descanso os pensamentos
Minha alma se transforma em riacho calmo
Faz meu sorriso fluir naturalmente pelo meu rosto

Nesses momentos minha felicidade é completa
Minha paz é seu reflexo
Meus segundos são sem tempo.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Errar duas vezes seria...


           Já faz quanto tempo que ele está falando? Será que não sabe ler minha linguagem corporal? Amigo, não estou interessada em você, estou apenas sendo educada (nem simpática estou!).
            Lição de hoje à noite: sempre que for ao banheiro de um pub/bar/qualquer lugar que tenha gente que você não conheça, SEMPRE vá acompanhada de alguma amiga.
            Vou explicar o porquê dessa lição. Estava eu, quietinha na mesa, ouvindo a conversa e o show, curtindo o meu mojito quando decidi ir ao banheiro conferir o estado do meu cabelo. Para chegar ao banheiro tive que abrir caminho no meio de várias cervejas e seus vassalos.  Percebi que um deles tentou eye contact, mas... Eu só queria chegar ao banheiro!
            Na volta do banheiro (após longos minutos necessários para me convencer que o meu cabelo armado e enrolado é uma forma ímpar de estilo e glamour) o cara do quase eye contact me parou e agora estou conversando com ele.
            Hum, não é nada mau de olhar: olho muito verde, cabelo preto estilozinho, um piercing na sobrancelha, brinco em uma das orelhas. Não está mau vestido: calça jeans e camiseta preta (se bem que é decote em V, o que não é a coisa mais máscula possível). Sabe, ele até que é fofinho. Não chegou chegando, entende? Até já descreveu várias formas de preparar miojo. O problema é que sou tola. Sim, T-O-L-A! Por que digo isso? Porque estou cometendo o mesmo erro que cometi com o Faltando-Goleiro.
            →Pausa importante para resumo da história do Faltando-Goleiro (F.G): O F.G foi um affair de um pouco mais de um mês. No curto tempo no qual passamos juntos ele viajou e quando eu saí não fiquei com ninguém por consideração a ele, tolinha. Bem sei que enquanto ele viajou não houve tal consideração por parte dele (bem provável que enquanto ele estava aqui também não), mas enfim...
            Vamos ao erro atual, que estou cometendo neste exato momento: estou há quase dois meses com o Batata e ele está viajando (e tem uma certa ex nesta viagem...) Estranho déjà vu... Preciso explicar mais alguma coisa? Agora tem uma música tocando exclusivamente dentro da minha cabeça: “Viajar sem mim, me deixar assim. Tive que arranjar alguém pra passar os dias ruins”.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Na minha cozinha

Eu vou fazer um chocolate quente
Especial para você saborear
E a sua boca queimar.

Queimar a sua língua
Como o asfalto faz arder
Os pés da nossa infância.

Quem sabe assim
Essa nossa nata elitizada
Decide finalmente se movimentar.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Integridade

Eu percebi
Meu nome apenas hoje
Toda a sua sonoridade e poder
E tomei a sua posse
Apenas agora.

Chuva

Talvez não seja um começo
Certamente não é um final
Apenas uma continuação,
Um prolongamento de algo imenso
Que não conheço as dimensões nem pretensões
Apenas sei que é onde eu deveria estar
E é onde eu quero estar.
Se choverá nesta noite ainda não sei
Sinto o cheiro da chuva chegando com o vento fresco
Com o balançar suave dos coqueiros.
Se me molharei não é importante
O que interessa é como agirei quando a água tocar o meu corpo
E me propor lavar a alma.
Não me é possível saber quem estará comigo
Quando a primeira gota chegar
E a última secar
Apenas espero não estar só, sem alguém para rir
Por estarmos ridiculamente encharcados
E incrivelmente leve.

sábado, 15 de outubro de 2011

Ponto de vista

O que meus olhos vêem
Reflexo de minha alma,
Louca!
Toda uma sensação e percepção
Que ninguém nota
Louca!