quarta-feira, 29 de abril de 2015

Confessionário

Talvez a ti passe,
pelos seus doces olhos,
despercebido
A minha necessidade de todo o dia
Me por a inventar.

Crio mundos, salas, quarto
construo carros e faço nascer árvores
para nos cercar.

Talvez ainda não tenhas percebido,
Que nos dias em que não me trazes o bendito pãozinho
Pereço, morro devagarinho.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Que me encha

Não me basta.
Sempre me assombro quando chego nessa afirmação tão densa.
Terrorismo perfeito
Que me persegue há tempos.

Sempre tremo quando posiciono “só”
Ante(s de) “você”.

Nessas horas escuras
Minhas pernas bambeiam mais do que nunca
Pois nunca há resposta que me encha a boca
Me jogam, assim, no chão
Me taxam de louca. 

terça-feira, 24 de março de 2015

Apenas nosso, apenas eu

Tão frio e tão doce era o seu olhar
A me perfurar.
Acorrentada, minha rubra boca te entregava
Os suspiros, os versos que te fiz
Num só ato, num só sacrifício
Os meus braços abraçavam o mar que nos continha
Nos separava e aproximava,
Num ritmo atormentador. 

segunda-feira, 2 de março de 2015

Nessa simplicidade

Amo-te
Amo-te sem rubores.
Amo-te no meu simples,
No meu todo.

Amo-te de forma simples,
Quase bruta.
Amo-te sem filtrar,
Sem rodeios,
Atingindo-te em cheio.
Minha caçula,
Te amo.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Tudo aquilo que faltou naquelas noites foi achado em uma. Sem grandes confusões, com apenas uma vítima.

Subia leve.
Palpitava só de brincadeira.
Como não sorrir ao lembrar de Chico, de Steven, do menino?
Sequestrava aquele suspiro procurado há tempos.
Espalhava pelos Móveis, pelo apartamento
Toda a sujeira acumulada, deixando vestígios na almofada e no copo americano de requeijão utilizado para beber água. 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Sem mais

Te desejei aqui, uma última vez
Você me olhava daquele jeito, aquele olhar que só você sabe
Que me confidenciou quando te ensinei a minha astronomia,
Sem te confessar que era apenas minha e que eu era sua

domingo, 28 de dezembro de 2014

Blinding

Fuckin little world
Até meus ossos balançaram, sacudiram
Com o som de sua voz, naqueles gritos, naquela trilha sonora absurda

Percorreu por todo o meu corpo, naqueles milésimos estendidos, o seu beijo cru
Cada fibra profanava aquela ressurreição insana
E todas elas morreram como todos os momentos

Os meus olhos tombaram, se vestiram de púrpura
Minha boca, flor morta, sufocou em cinzas e terras