quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

domingo, 19 de janeiro de 2014

Cantiga

Fazia a tabuada dos se te...
Contava com os dedos
Recitava os nomes
E titulava todos como nenhum

Displicência

Não há porque não sorrir
Vem na calma da alma, um tamborzinho aqui dentro
Dispensar, por um momento, os conceitos dos modernos
Reconstruir um sujeito
Despojado de consciência

Talvez

Não esperava tanta relevância em um pequeno gesto, mas a descobri ali, encostada tão silenciosamente. Me surpreendeu sua falta de voz, tão singelo. Mas quando percebi já era tarde, não tinha como voltar. 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Café

Rabiscava no canto do jornal, tão fugaz. Faltava apenas vestir a camisa, mas era um fardo. Deu um último trago, profundo, buscando sua masculinidade viril. Procurava se desprender daquele sentimentalismo. Não devia ter abrido a carteira de couro marrom. Muito menos descoberto a foto ali enterrada. Um segredo que sempre enterrava ali. Olhou aquele rosto delicado, coçou a barba rala, respirou tão fundo quanto pode. Pegou o isqueiro ao lado do café, acendeu, aproximou a foto. A covardia apagou a chama. Guardou a foto, não suportava o seu olhar. Segurou o cigarro, a masculinidade, último trago. Apagou no café velho. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

P.P

Não é um resfriamento, um endurecimento. Apenas um entendimento. Não, não me diga que soa como amargura. Mas também, Florbela, não são sedas pálidas a arder. São pálidas e só. Sem mistério ou encanto. Não trago versos nos lábios, trago-os bem nus. A falta do desejo me esgota, inexpira, vai além-tédio, meu velho.

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Cada vez mais os poetas portugueses me parecem certos
O desejo permanece no inalcançável
Uma quimera querida
Sua realização não traz o mesmo encanto
Apenas o desencanto