terça-feira, 24 de setembro de 2013
Dois minutos talvez
Ela piscava os olhos repetidas vezes. Já não um ato involuntário, mas sim necessário, calculado, salvador. Buscava apoiar-se no cercado, na parede, nos próprios pés. Era necessário certo esforço para conseguir manter-se concentrada no que estava sendo dito. Seria interessante. Não apenas interessante, seria muito bom. A menina permitia-se algum florir, já era primavera. Pensava como seria a quebra daquela barreira e esquecia do presente. Foco! Ordenava a si mesma, para depois esquecer as próprias ordens.
sábado, 14 de setembro de 2013
Talvez de noite
Ela já sabia que era incerto, mas ousou criar alguma expectativa. Ria ao lembrar das flores que haviam descoberto o dia e ao lembrar das que sentiam o gosto da terra. Nestas se reconhecia. Pensava em ser aquelas amarelas que vira mais cedo. Recordava já ter sido reflexo das roxas que se atiravam dos galhos, em um salto desesperado para o brusco.
Sorria tão largamente que se deslocava do padrão. Sorria ao perceber o efeito que surtia naquele recém nascido menino. Ria-se tão abertamente que o desconcertava. Seu comprometimento em ser um homem de palavra a desconcertava. Queria um certo descompromisso e o seu auto intitular "homem" já bastava para mais um riso. Contudo, admirava a sua preocupação.
Movia o corpo esguio segundo o ritmo de sua própria frequência. Já não estava onde estava. Corria os olhos fechados, não para o encontrar, mas para se perder em si.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Uma falta de tradicionalismo no calendário
Tem dia que
tudo o que precisamos é a oferta de um suco de laranja no meio do tumulto. Mas esses
dias, como pode-se esperar, são malandros. O passado decide dar um bocejo, e no meio dessa careta singular surge uma conversa estúpida, cuja única reação
adequada é, e desde já peço desculpa pela interjeição: CARALHO.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
mim i'mim
Era uma felicidade tranquila, genuína
Genuína por ter seu início, princípio em mim
Não ser reflexo de palavras, atitudes, esperanças alheias
Sorria com os olhos, pois os lábios não me bastavam
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Interrompido
Não havia, não
há
Seja por qualquer
tentativa, seja por um apego doentio
Nem o mais doce
sonhar
Nada traz o
sofrer por amor
Tão seca a flor
no chão,
Que após o
despencar brusco
Não ousou deixar
semente
Apenas se decompôs
Voltou à terra e
nela ficou.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Tin tin
Um brinde ao final dessa semana encantadora,
Ao fantástico findar de seis meses
Aos amores abortados no princípio de suas
gestações.
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
A(não)gosto
Abandonava-me
Já não havia barreiras em mim,
Não era o ápice da liberdade
Mas a mera dissolução dos limites
Um dissolver-me e entregar-me
Numa inércia mórbida
Já não me ocupando, vazando por cada orifício arrombado em
minha existência
Liquefazendo-me, escapando
Deixando de existir por aquele momento
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