terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Sem exageros

Não, não espero inúmeras páginas
Contento-me com meia
Até menos
 
Quero apenas o suficiente
Para entrelaçar os dedos
Da maneira que me convir.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Prece


Deus me livre de amar tão cedo

Não pretendo erguer templos

Nem derramar palavras

Por nomes passageiros

 

Desse vácuo do amor prematuro

Prefiro não participar do parto

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

merda


Sento no chão de mim. Não mais. Parece tudo vazio. Para onde levei os móveis? Estão mortos. Piso errado, um vidro esquecido se enterra na sola. Melhor as cortinas fechadas. Sim, assim. Tire o telefone do gancho. Não faz mais calor. Como venta, mas não chove. A estiagem judia as rosas. Tão delicadas. Murchas. A vassoura quebrou, deixe que acumule. Pro tapete? Não, é só mais trabalho. Violaram a cerca. Soe o alarme. Pulso esquerdo ou direito? O mais demorado.

Faça-me um favor


Eu queria um desrespeito

Uma atitude imprópria

Algo que não me permito

E que educadamente respeitas.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Carmesim

        Mexeu a garganta, seca. Seu único movimento. Tentou engolir novamente, atreveu-se a tremeluzir as pontas dos dedos da mão direita. Buscou o ar com avidez, forçando os pulmões a se expandirem. Os olhos fixos no relógio da parede da cozinha. Umedeceu os lábios, o gosto do batom carmesim tocou delicadamente a língua. Ainda estava fresco. Piscou os olhos pintados. Buscou novamente o ar. Seu jovem rosto contraiu-se pelo pesar. Já era tarde, sabia disso. Algo morno começou a empapar o vestido, principiando pequeno, mas avançando rapidamente na renda preta. O ponteiro do relógio passou novamente pelo número 12. Fazia dois segundos que o tiro começara a roubar-lhe a vida.

Como a Paula diria, querido?


Objetivo: manter a boca ocupa, sempre. Eternamente nessa próxima meia hora, no mínimo. Hum... Esse horrível bife está irresistível, não? Não consigo parar de comer, veja bem. Essa sua conversa tortuosa simplesmente tem que ser um monólogo, não é minha culpa. Culpe o cozinheiro desse restaurante formidável! Agora entendo porque você insistiu tanto em virmos aqui, esse suspeito aroma é simplesmente acolhedor. Sei sei, você acredita que eu deva me posicionar sobre esse nosso problema. Talvez um pouco de sal ajude a descer mais fácil essa vaca miserável. Se eu balancei a cabeça é uma forma de interação, não me culpe por isso. Se em casa ainda tiver bis vou fazer uma torta com eles. Então eu também sou culpada por terem pregado Jesus na cruz? Sim, a sua calça é um problema, mas sempre podemos iniciar uma fogueira. Algo bem ritualístico para espantar todo o mal do seu guarda-roupa. Mais uma água, por favor.  A primeira camada da torta era brigadeiro branco? Ah... Um beijo bem na hora em que acabo de engolir, quanta gentileza querido. Como é mesmo que Paula diria? “Enquanto você pensa em me beijar...”.

domingo, 27 de janeiro de 2013

_______


Esse choro preso que não se liberta. Repleto de uma aflição mal fundamentada. Completamente sem enredo, se quer posso culpar os personagens. Não há! Sobe na garganta, contrai meu corpo numa agonia muda. Traz a mente o nada, um vácuo torturador que agrava, agrava isso. Agrava tudo. Sentada, reclusa em mim, se desfaz essa dor. Então bate a saudade desse sentimento incompreensível, mas tão vivo. Tão latente. Ao menos com ele meu coração descompassa.